{"id":6998,"date":"2023-06-28T09:37:10","date_gmt":"2023-06-28T09:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/?p=5130"},"modified":"2023-06-28T09:37:10","modified_gmt":"2023-06-28T09:37:10","slug":"carlos-neto-estamos-a-criar-uma-sociedade-de-cativeiro-para-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/carlos-neto-estamos-a-criar-uma-sociedade-de-cativeiro-para-as-criancas\/","title":{"rendered":"Carlos Neto. \u201cEstamos a criar uma sociedade de cativeiro para as crian\u00e7as\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Carlos Neto. \u201cEstamos a criar uma sociedade de cativeiro para as crian\u00e7as\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a rua em vias de extin\u00e7\u00e3o, os recreios s\u00e3o a \u00fanica alternativa que as crian\u00e7as t\u00eam\u201d Rodrigo Cabrita <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/autor\/marta-f-reis\">Marta F. Reis<\/a> 12\/09\/2015 20:16<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Neto, investigador da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, dedicou o \u00faltimo ano de licen\u00e7a sab\u00e1tica a partilhar as suas preocupa\u00e7\u00f5es em torno de um problema que diagnosticou h\u00e1 20 anos: o \u201cterrorismo do n\u00e3o\u201d. Diz que \u00e9 preciso p\u00f4r fim a uma cultura em que os adultos, por receios muitas vezes exagerados, negam \u00e0s crian\u00e7as todas as hip\u00f3teses que t\u00eam de brincar, de experimentar, de correr riscos e de aprender com os seus erros. Em tempo de regresso \u00e0s aulas, o especialista deixa um apelo a pais e educadores: n\u00e3o atrapalhem as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Vem a\u00ed a escola, o regresso \u00e0 parte s\u00e9ria da vida para os mais novos. Teme pela qualidade de vida das crian\u00e7as?<br \/>\u00c9 uma quest\u00e3o de desenvolvimento. A escola n\u00e3o faz mal \u00e0s crian\u00e7as. D\u00e1-lhes compet\u00eancias e saberes. Deve dar-lhes a possibilidade de serem curiosos e ferramentas para terem sucesso. Agora a escola \u00e9 um contexto organizado e muitas vezes p\u00f5e as crian\u00e7as demasiado tempo sentadas. E \u00e9 isso que tem preocupado investigadores e pedagogos: como \u00e9 que, tendo de estar nesse espa\u00e7o organizado, podem ao mesmo tempo brincar e experimentar livremente. O que temos defendido \u00e9 um maior equil\u00edbrio entre actividades formais e informais na escola. E, hoje em dia, o sistema educativo, principalmente dos 3 aos 12 anos \u2013 uma fase essencial em que as crian\u00e7as atrav\u00e9s do brincar aprendem muita coisa \u2013 muitas vezes n\u00e3o tem isso em conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atrav\u00e9s da brincadeira as crian\u00e7as aprendem o qu\u00ea?<\/strong><br \/>A diversidade de situa\u00e7\u00f5es em que as crian\u00e7as se colocam permite-lhes adquirir instrumentos fundamentais para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas, para a tomada de decis\u00e3o e permite-lhes tamb\u00e9m de-senvolver uma capacidade perceptiva em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o f\u00edsico e em rela\u00e7\u00e3o aos outros. A investiga\u00e7\u00e3o tem demonstrado que, quanto mais tempo a crian\u00e7a tem de actividade l\u00fadica e f\u00edsica no recreio, mais capacidade de concentra\u00e7\u00e3o tem na sala de aula. J\u00e1 para n\u00e3o dizer que manter o corpo activo \u00e9 uma forma de combater o flagelo dos nossos tempos que \u00e9 o sedentarismo. Os recreios podem e devem ser melhor aproveitados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Devia haver mais intervalos?<\/strong><br \/>\u00c9 um assunto que deve ser discutido e depender\u00e1 das idades. Mas os estudos sugerem que deve haver v\u00e1rios intervalos e mais distribu\u00eddos. Mas quando falo de aproveitar melhor o recreio, \u00e9 aproveit\u00e1-lo enquanto espa\u00e7o educativo e n\u00e3o pensar que \u00e9 terra de ningu\u00e9m, como acontece hoje. Os recreios fazem parte do processo educativo. S\u00e3o essenciais para que o resto da educa\u00e7\u00e3o funcione. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Devia haver professores no recreio?<\/strong><br \/>Os estudos indicam que deve haver supervisor mas n\u00e3o tem de intervir. O jogo deve ser livre. E isto leva-nos a outra quest\u00e3o: impera na sociedade uma cultura do medo e uma avers\u00e3o ao risco. Precisamos que os educadores, tal como os pais, tentem resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de proibir as crian\u00e7as de experimentar e de brincar livremente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chama a esse receio o \u201cterrorismo do n\u00e3o\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma imagem forte?<\/strong><br \/>Sim, mas \u00e9 preciso perceb\u00ea-la. Quando me refiro ao terrorismo do n\u00e3o falo das proibi\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es de linguagem que os adultos utilizam para n\u00e3o permitir que as crian\u00e7as se confrontem com o risco e situa\u00e7\u00f5es adversas. Este medo gera nas crian\u00e7as uma grande inseguran\u00e7a, coagindo-as a n\u00e3o fazer o mais natural na inf\u00e2ncia, que \u00e9 um tempo de experimenta\u00e7\u00e3o, de impertin\u00eancia, de caos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando come\u00e7ou a instalar-se o terrorismo do n\u00e3o?<\/strong><br \/>Falo disto h\u00e1 20 anos, acho que foi quando se come\u00e7ou a notar esta tend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que a explicar\u00e1?<\/strong><br \/>Ser\u00e3o v\u00e1rios os motivos. Um deles \u00e9 a forma como os media divulgam acidentes, raptos e viola\u00e7\u00f5es, como se fosse algo muito comum. Isso criou receio na cabe\u00e7a dos pais. E fomos tendo um modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o cada vez mais limitador, com poucos espa\u00e7os de jogo. N\u00e3o temos cidades pensadas para as crian\u00e7as, s\u00e3o desesperadamente adultas. Estamos muito atrasados nesse aspecto em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses n\u00f3rdicos e da Europa Central. Creio que tem muito a ver tamb\u00e9m com a nossa m\u00e1 gest\u00e3o do tempo e falta de equil\u00edbrio entre trabalho e fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como assim?<\/strong><br \/>Existe muito pouca harmoniza\u00e7\u00e3o do tempo de fam\u00edlia. As crian\u00e7as s\u00f3 t\u00eam tempo para experimentar e brincar se os pais tamb\u00e9m tiverem: estarem presentes e assistirem \u00e9 a forma de se sentirem seguros. Tem de haver coragem pol\u00edtica para mudar este estado de coisas. Nos pa\u00edses n\u00f3rdicos entra-se no trabalho \u00e0s 8h e sai-se \u00e0s 16. Os pais v\u00e3o buscar os mi\u00fados \u00e0 escola de bicicleta. Porque \u00e9 que isso n\u00e3o acontece c\u00e1? Em vez de olhar para este problema os adultos tentam colocar as crian\u00e7as nas suas superagendas. Brincar \u00e9 a identidade da inf\u00e2ncia e isso n\u00e3o est\u00e1 a ser respeitado. \u00c9 por isso que digo que a escola tem de ajudar, proporcionar essa brincadeira enquanto a sociedade como um todo n\u00e3o muda. Neste momento, com a rua em vias de extin\u00e7\u00e3o, os recreios s\u00e3o a \u00fanica alternativa que as crian\u00e7as t\u00eam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que sugere?<\/strong><br \/>Os recreios tem de ser pensados e estimados da mesma forma que as salas de aula. Devem ter equipamentos, superf\u00edcies de impacto adequadas, est\u00edmulos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se tivesse de equipar um recreio, como fazia?<\/strong><br \/>Metia areia, \u00e1gua, \u00e1rvores, casas em cima das \u00e1rvores, formas de escalada, elementos que pudessem desencadear do ponto de vista corporal comportamentos com mais atitudes de risco.<br \/>Hoje seria preciso os pais assinarem um papel a dizer que autorizam o educando a subir \u00e0 \u00e1rvore no intervalo.<br \/>Mas n\u00e3o pode ser. Os pais, e os adultos no geral, t\u00eam de perceber que as crian\u00e7as t\u00eam uma capacidade muito grande de autocontrolo. A partir dos 4 anos dificilmente t\u00eam acidentes. E, al\u00e9m disso, as crian\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o confrontadas com o risco s\u00e3o as que est\u00e3o mais propensas a ele. Temos de olhar para esta pandemia do sedentarismo e pensar se queremos mesmo este analfabetismo motor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde nota o analfabetismo motor?<\/strong><br \/>H\u00e1 imensas crian\u00e7as com dificuldades motoras de coordena\u00e7\u00e3o, desde o saltar ao eixo, ao p\u00e9 coxinho. N\u00e3o sabem correr, n\u00e3o sabem trepar. Tudo isto resultou da cultura do medo que imp\u00f4s regras como n\u00e3o puderem fazer jogos de persegui\u00e7\u00e3o como a apanhada ou brincar \u00e0s lutas. Mas o problema n\u00e3o se nota s\u00f3 nas escolas. Hoje as crian\u00e7as raramente se confrontam com o desconhecido. V\u00eaem as suas cidades pelo vidro dos autom\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que diferen\u00e7as se notam quando estes jovens chegam \u00e0 universidade?<\/strong><br \/>Talvez a Faculdade de Motricidade Humana n\u00e3o seja bom exemplo pois s\u00e3o jovens que foram activos na inf\u00e2ncia e fizeram desporto, o que n\u00e3o significa que n\u00e3o haja casos de alunos que chegam com uma cultura motora mais pobre. Agora o que se sente no geral \u00e9 que o estudante do ensino superior \u00e9 mais imaturo do ponto de vista motor e at\u00e9 emocional mas \u00e9 mais consistente ao n\u00edvel cognitivo. \u00c9 mais culto ao n\u00edvel cognitivo e menos culto ao n\u00edvel motor e social. E esse lado \u00e9 fundamental para exercer o outro. Se uma crian\u00e7a n\u00e3o brincar muito e n\u00e3o for &nbsp;activa na inf\u00e2ncia dificilmente poder\u00e1 ser um adulto empreendedor. Se n\u00e3o foram felizes, se n\u00e3o puderam fazer asneira, se lhes foi dado tudo pronto, n\u00e3o v\u00e3o resolver problemas e construir uma cultura adaptativa para ter sucesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 melhor visto o est\u00edmulo cognitivo do que a brincadeira f\u00edsica?<\/strong><br \/>Sim, o corpo anda completamente esquecido, at\u00e9 com as novas tecnologias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00ea-as como uma amea\u00e7a?<\/strong><br \/>N\u00e3o. Est\u00e3o c\u00e1 e temos de viver com elas. Agora nunca nos podemos esquecer que tem de haver um equil\u00edbrio e que \u00e9 importante estar em movimento. Isto \u00e9 decisivo. Imensas investiga\u00e7\u00f5es t\u00eam demonstrado que o jogo e o corpo activo tem um papel fundamental no desenvolvimento do c\u00e9rebro e das liga\u00e7\u00f5es sin\u00e1pticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Devia proibir-se os telem\u00f3veis?<\/strong><br \/>O caminho n\u00e3o passa por proibir nem por obrigar. Tem \u00e9 de haver est\u00edmulos igualmente atractivos e possibilidades para as crian\u00e7as poderem fazer aquilo que lhes \u00e9 mais natural. Com estas limita\u00e7\u00f5es que pomos e deixando, por comodismo, que passem demasiado tempo sentadas, qualquer dia n\u00e3o t\u00eam quaisquer conhecimentos motores. Ser\u00e1 como ter de ensinar um macaco a trepar \u00e0s \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que acontece quando se faz isso a um animal?<\/strong><br \/>Os animais em cativeiro morrem mais cedo, t\u00eam mais doen\u00e7as. Estamos a criar uma sociedade de cativeiro para as crian\u00e7as e o risco \u00e9 precisamente esse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que aconselharia os pais a dizerem a eles pr\u00f3prios quando lhes der vontade de dizer \u201cn\u00e3o fa\u00e7as isso\u201d?<\/strong><br \/>T\u00eam de lutar contra a sua inseguran\u00e7a. T\u00eam de perceber se os seus receios t\u00eam fundamentos e pesar as consequ\u00eancias E t\u00eam de perceber que as crian\u00e7as t\u00eam uma grande capacidade de autocontrolo. Se adiarem a experimenta\u00e7\u00e3o, s\u00f3 as est\u00e3o a tornar mais vulner\u00e1veis. Os estudos que temos feito mostram que em Portugal as crian\u00e7as t\u00eam muito pouco independ\u00eancia. Quando em 16 pa\u00edses estamos em 14.o lugar, ao lado da It\u00e1lia, quando pa\u00edses com pior clima d\u00e3o muito mais liberdade \u00e0s crian\u00e7as, isto devia dar-nos que pensar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sentiu esse dilema com os seus filhos?<\/strong><br \/>Tenho um filho com 32 anos e nunca impus limita\u00e7\u00f5es. P\u00f4de explorar um monte que t\u00ednhamos ao p\u00e9 de nossa casa em Linda-a-Velha. Isto n\u00e3o quer dizer que se deva deixar as crian\u00e7as fazer tudo ou que n\u00e3o haja disciplina, mas os adultos n\u00e3o podem estar sistematicamente a atrapalhar as crian\u00e7as. Devem pensar mais na liberdade que tiveram. Os av\u00f3s, que ainda tiveram mais, muitas vezes hoje s\u00e3o quem mais deixa os mi\u00fados brincar e que lhes d\u00e3o a liberdade de que precisam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise da natalidade ser\u00e1 parte do problema, o facto de haver poucas crian\u00e7as torna-as um bem mais precioso para os pais?<\/strong><br \/>Talvez. Sabemos que fam\u00edlias com poucas crian\u00e7as s\u00e3o mais protectoras. Mas \u00e9 um problema geral. As crian\u00e7as hoje, al\u00e9m do sedentarismo, n\u00e3o t\u00eam oportunidade de conhecer os s\u00edtios onde vivem, de desenvolver a sua identidade territorial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o mais infelizes?<\/strong><br \/>Do meu ponto de vista sim. Costumo dizer que crian\u00e7as saud\u00e1veis s\u00e3o as que esfolam os joelhos. N\u00e3o quer dizer que se isso n\u00e3o acontece s\u00e3o umas tot\u00f3s, mas uma crian\u00e7a que nunca fez uma asneira, que nunca se sujou, certamente ter\u00e1 perdido imensas oportunidades de crescimento. As crian\u00e7as aprendem atrav\u00e9s de situa\u00e7\u00f5es inesperadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falou do impacto que isso tem na sua capacidade empreendedora mais tarde. Continuar este terrorismo pode comprometer o desenvolvimento do pa\u00eds?<\/strong><br \/>Acho que sim, teremos seguramente cidad\u00e3os menos empreendedores e isso tornar\u00e1 mais dif\u00edcil conseguir ultrapassar crises e inovar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muitos pais multiplicam a agenda das crian\u00e7as em actividades extracurriculares. \u00c9 um mal menor?<\/strong><br \/>\u00c9 positivo, ainda mais se forem diversificadas. Hoje em dia nas escolas h\u00e1 cada vez menos tempo dedicado \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Desporto e \u00e0s actividades art\u00edsticas, o que n\u00e3o faz qualquer sentido, e a\u00ed pode ser uma solu\u00e7\u00e3o. Agora carregar a agenda das crian\u00e7as com actividades e deix\u00e1-las sem tempo livre para brincarem ao que quiserem \u00e9 uma trag\u00e9dia. \u00c9 quase trabalho infantil e n\u00e3o resolve nada. \u00c9 uma falsa solu\u00e7\u00e3o. Brincar livremente \u00e9 um direito da crian\u00e7a, previsto no artigo 31 da Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a. Diz que a crian\u00e7a tem direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas pr\u00f3prias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e art\u00edstica. Os estados-membros assinaram este artigo e ele tem de ser respeitado em casa, na fam\u00edlia e na comunidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como encara o futuro?<\/strong><br \/>N\u00e3o devo fazer fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mas obviamente que a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina aqui. E se hoje temos uma cultura muito aperfei\u00e7oada na cabe\u00e7a e nas m\u00e3os, esquecemo-nos dos p\u00e9s. N\u00e3o podemos substituir toda uma cultura motora pela cultura dos dedos. Se n\u00e3o corremos, n\u00e3o nadamos, n\u00e3o dan\u00e7amos, acho que que se coloca um grande desafio ao que ser\u00e1 o corpo humano no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teremos m\u00e3os maiores?<\/strong><br \/>Se calhar s\u00f3 teremos cabe\u00e7a e n\u00e3o podemos ir a lado nenhum. [risos] E um corpo sentado e im\u00f3vel \u00e9 o caminho r\u00e1pido para a doen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Noticia Original: <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/411405\">https:\/\/ionline.sapo.pt\/411405<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Investigador da Faculdade de Motricidade Humana alerta para os perigos de dizer sempre n\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as por medo de que se magoem. 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