{"id":7000,"date":"2023-06-28T09:41:46","date_gmt":"2023-06-28T09:41:46","guid":{"rendered":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/?p=5135"},"modified":"2023-06-28T09:41:46","modified_gmt":"2023-06-28T09:41:46","slug":"carlos-neto-a-brincadeira-pode-ser-a-resposta-para-a-maioria-dos-males","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/carlos-neto-a-brincadeira-pode-ser-a-resposta-para-a-maioria-dos-males\/","title":{"rendered":"Carlos Neto: \u201cA brincadeira pode ser a resposta para a maioria dos males\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Carlos Neto, Investigador da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa,<\/strong><strong> explica por que raz\u00e3o \u00e9 brincar \u00e9 a melhor prescri\u00e7\u00e3o para um desenvolvimento saud\u00e1vel das crian\u00e7as. At\u00e9 porque n\u00e3o queremos adultos infantis, doentes e com falta de iniciativa.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) j\u00e1 considera a obesidade infantil uma epidemia e um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Segundo dados desta entidade do ano passado, existem no mundo cerca de 200 milh\u00f5es de crian\u00e7as com excesso de peso e a Diabetes tipo 2 afeta faixas et\u00e1rias cada vez mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais causas? A m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o e a falta de exerc\u00edcio. 90% das crian\u00e7as portuguesas consome <em>fast food<\/em> e 57% das que moram perto da escola deslocam-se de carro. Ali\u00e1s, em 2014, Portugal era dos pa\u00edses da Europa que tinha mais crian\u00e7as obesas (5%), logo atr\u00e1s da Gr\u00e9cia (6,5%), Maced\u00f3nia (5,8%), Eslov\u00e9nia (5,5%) e Cro\u00e1cia (5,1%) de acordo com a OMS. Por outro lado, h\u00e1 cada vez mais petizes diagnosticados o s\u00edndrome de D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cTodos os estudos apontam para que as crian\u00e7as ativas tenham mais capacidade de aprendizagem de concentra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de, a longo prazo, maior probabilidade de terem sucesso\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>O que estar\u00e1 a acontecer? S\u00e3o os mi\u00fados sedent\u00e1rios ou el\u00e9tricos ao ponto de quem os rodeia entrar em parafuso Pode ser s\u00f3 falta de brincadeira e de uma alimenta\u00e7\u00e3o mais equilibrada. Quem o afirma \u00e9 Carlos Neto, Professor da Faculdade de Motricidade da Universidade de Lisboa, que trabalha com os mais jovens h\u00e1 cerca de cinco d\u00e9cadas: <strong>\u201cEstamos a criar uma gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as doentes, afastadas da sua fisicalidade, da realidade e que dificilmente ser\u00e3o adultos empreendedores\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Delas.pt falou com o especialista e procurou saber que medidas podem e devem os pais e a sociedade tomar para tornar as nossas crian\u00e7as mais saud\u00e1veis, expeditas, interventivas, ativas e equilibradas, pelo menos no que diz respeito aos tempos livres. A escola, como veremos, ter\u00e1 um papel fundamental. Porque para Carlos Neto, de entre todos os segredos pedag\u00f3gicos, \u201ca brincadeira e o tempo a ela consagrado \u00e9 fundamental. Pode ser a resposta para a maioria dos males\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\" id=\"attachment_389889\"><a href=\"https:\/\/www.delas.pt\/carlos-neto-entrevista-brincar\/carlos-neto\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.delas.pt\/files\/2018\/02\/Carlos-Neto.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carlos Neto (Ant\u00f3nio Pedro Santos \/global Imagens)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 uma frase sua que li h\u00e1 algum tempo e me marcou: \u201cPasseamos mais os c\u00e3es do que as crian\u00e7as\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(Risos) N\u00e3o ser\u00e1 tanto assim, mas de facto neste pa\u00eds quem tem um c\u00e3o leva-o a passear e a brincar pelo menos duas vezes por dia, fa\u00e7a chuva ou sol. O mesmo j\u00e1 n\u00e3o acontece com as crian\u00e7as. Basta estar um pouco mais frio que coitadinhas, correm o risco de apanhar uma constipa\u00e7\u00e3o! Ficam em casa agarradas \u00e0s consolas \u2013 n\u00e3o \u00e9 que tenha algo contra as novas tecnologias \u2013 e n\u00e3o se mexem durante horas, n\u00e3o interagem, n\u00e3o brincam uns com outros e nem desenvolvem compet\u00eancias sociais\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Brincar parece uma palavra um pouco perdida no l\u00e9xico contempor\u00e2neo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a partir do momento em que v\u00e3o para a escola, as crian\u00e7as perdem o tempo que tinham para brincar. Os intervalos s\u00e3o curtos, por vezes de apenas 15 minutos para quase 5 horas de estudo na sala de aula, quando nem um adulto trabalha tanto tempo seguido. E todos os estudos apontam para que as crian\u00e7as ativas tenham mais capacidade de aprendizagem de concentra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de, a longo prazo, maior probabilidade de terem sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o \u00e9 altura de rever a import\u00e2ncia da brincadeira e da dura\u00e7\u00e3o e qualidade dos intervalos escolares?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Claro. Brincar permite adquirir instrumentos fundamentais para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas, tomada de decis\u00f5es e permite tamb\u00e9m e desenvolvimento de uma capacidade percetiva em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o f\u00edsico e em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Al\u00e9m de que muitos estudos evidenciam que, quanto mais tempo a crian\u00e7a tem de atividade l\u00fadica e f\u00edsica no recreio, maior capacidade de concentra\u00e7\u00e3o tem na sala de aula. J\u00e1 para n\u00e3o dizer que manter o corpo ativo \u00e9 uma forma de combater o flagelo dos nossos tempos que \u00e9 o sedentarismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que contribui para doen\u00e7as t\u00e3o graves como a obesidade e at\u00e9 a Diabetes tipo 2?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o falar nas quest\u00f5es psicol\u00f3gicas. H\u00e1 uns tempos eu defendia que as crian\u00e7as saud\u00e1veis eram aquelas que tinham os joelhos esfolados. Hoje penso que elas t\u00eam \u00e9 a cabe\u00e7a esfolada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Porque brincar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 manipular brinquedos, \u00e9 estar em confronto com a natureza, com o risco, com o imprevis\u00edvel e com a aventura. E uma crian\u00e7a que n\u00e3o o faz, dificilmente no futuro assumir\u00e1 riscos, enfrentar\u00e1 adversidades com seguran\u00e7a\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cEstamos a criar tot\u00f3s, dependentes, inseguros e sem qualquer cultura motora\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A falta da brincadeira n\u00e3o as torna menos sens\u00edveis aos riscos? Recordo-me que quando era pequena n\u00e3o nos atir\u00e1vamos a um po\u00e7o, muito menos se n\u00e3o soub\u00e9ssemos nadar. T\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o do risco\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exato. As crian\u00e7as aprendem atrav\u00e9s de situa\u00e7\u00f5es inesperadas. Ainda h\u00e1 pouco num jardim assisti a duas situa\u00e7\u00f5es distintas: um pai lia o jornal descansado enquanto o filho trepava uma \u00e1rvore, descia, subia e \u00e0s vezes ca\u00eda. O outro estava sempre a controlar o pequeno e a dizer-lhe \u201cn\u00e3o fa\u00e7as isto, cuidado com aquilo\u2026\u201d. Ora o mi\u00fado nem conseguiu descer\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que se vai refletir no futuro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos a criar tot\u00f3s, dependentes, inseguros e sem qualquer cultura motora. Vemos crian\u00e7as de 3 anos que, ao fim de dez minutos de brincadeira dizem que est\u00e3o cansadas, outras de 5 e 6 anos que n\u00e3o sabem saltar ao p\u00e9-coxinho. J\u00e1 as de 7 n\u00e3o sabem saltar \u00e0 corda e algumas de 8 anos n\u00e3o conseguem atar os sapatos. \u00c9 o que chamo de iliteracia motora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estamos a falar de sedentarismo, ileteracia motora, mas ent\u00e3o porque se discute tanto a hiperatividade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, os curr\u00edculos hoje est\u00e3o a ser demasiado exigentes quanto ao n\u00famero de horas em que as crian\u00e7as t\u00eam de estar sentadas. Devemos ter um plano para tornar a sala de aula mais ativa. J\u00e1 estamos a preparar, com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, programas alternativos que passam, por exemplo, pela coloca\u00e7\u00e3o distinta das mesas escolares de forma a tornar a aula mais ativa. \u00c9 inaceit\u00e1vel que 220 mil crian\u00e7as estejam medicadas em Portugal. Temos crian\u00e7as de 8 anos que n\u00e3o sabem atar os sapatos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta super prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 consequ\u00eancia da baixa de natalidade? Se s\u00f3 temos um filho h\u00e1 que o preservar\u2026 J\u00e1 os nossos av\u00f3s tinham 5, 7 ou mais\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez. Mas \u00e9 sobretudo cultural. Sabemos que fam\u00edlias com poucas crian\u00e7as s\u00e3o mais protetoras, mas de forma geral todas as crian\u00e7as t\u00eam poucas oportunidades para desenvolver a sua identidade territorial. Instalaram-se medos nas cabe\u00e7as dos adultos. Medos das crian\u00e7as serem aut\u00f3nomas. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o muito direta entre risco e seguran\u00e7a. Quanto mais risco, mais seguran\u00e7a e quanto mais risco, menos acidentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Devemos, ent\u00e3o, ser pais mais duros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim e n\u00e3o. Todos os estudos t\u00eam vindo a demonstrar que na inf\u00e2ncia, at\u00e9 aos 10\/12 anos de idade, \u00e9 absolutamente essencial brincar para desenvolver a capacidade adaptativa. E hoje n\u00e3o \u00e9 isso que estamos a fazer. Estamos a dar tudo pronto, tudo feito, e n\u00e3o a confrontar as crian\u00e7as com problemas que elas t\u00eam de resolver. Sejam eles com a natureza; sejam eles com os outros. Os pais necessitam desenvolver empatia com os filhos, mostrar autoridade, mas faz\u00ea-las sentirem-se seguras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O risco tem de ser um ritual de passagem, ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Claro. A ci\u00eancia demonstra que, no ciclo da vida humana, o pico maior, onde h\u00e1 mais disp\u00eandio de energia, \u00e9 entre os cinco e os oito anos. Temos de ter muito respeito por isso. N\u00e3o podemos confundir tudo e achar que essas energias s\u00e3o anormais. S\u00e3o naturais e por isso temos de olhar para elas como naturais e n\u00e3o patol\u00f3gicas e medic\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma boa alimenta\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio f\u00edsico apenas resolvem o problema da iliteracia motora ou o excesso de gordura.<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o qual dever\u00e1 dever\u00e1 ser o papel dos pais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, existe muito pouca harmoniza\u00e7\u00e3o do tempo de fam\u00edlia. E \u00e9 preciso perceber que as crian\u00e7as n\u00e3o devem brincar apenas entre elas; precisam de tempo para experimentar e brincar com os pais tamb\u00e9m. Assim sentem-se mais seguras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas os pais podem pensar: o meu filho anda no t\u00e9nis, e no futebol e na nata\u00e7\u00e3o, pratica muito desporto\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o resolve nada. Uma boa alimenta\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio f\u00edsico apenas resolvem o problema da iliteracia motora ou o excesso de gordura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os nossos hor\u00e1rios n\u00e3o facilitam. Em algumas empresas o \u00faltimo a sair \u00e9 o primeiro a ser promovido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pois, tem que haver coragem pol\u00edtica para mudar este estado de coisas. Em pa\u00edses como a Holanda ou a Austr\u00e1lia entra-se no trabalho \u00e0s 8h e sai-se \u00e0s 16. Os pais v\u00e3o buscar os mi\u00fados de bicicleta e depois brincam no parque ou em casa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C\u00e1 encaminham-se os pequenos para os ATL ou similares\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que digo que a escola tem de ajudar, proporcionar a brincadeira enquanto a sociedade como um todo n\u00e3o mudar. Neste momento, com a rua em vias de extin\u00e7\u00e3o, os recreios s\u00e3o a \u00fanica alternativa que as crian\u00e7as t\u00eam. E os ATL n\u00e3o t\u00eam que ser necessariamente negativos. S\u00f3 n\u00e3o se pode pedir que essas horas sejam passadas a fazer os trabalhos de casa. E ent\u00e3o os jogos, o teatro, a dan\u00e7a, a m\u00fasica?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o ser\u00e1 outro tipo de sobrecarga, tantas atividades extracurriculares?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, desde que sejam encaradas de forma l\u00fadica e n\u00e3o como complemento \u00e0 forma\u00e7\u00e3o escolar, do g\u00e9nero \u201co meu filho vai ser o melhor violinista, a minha filha a melhor bailarina\u2026\u201d H\u00e1 que reorganizar as escolas, os recreios e as atividades extracurriculares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m de brincar, n\u00e3o \u00e9 importante o espa\u00e7o para a contempla\u00e7\u00e3o? Ver as nuvens a passar, os rios a correr, os pingos da chuva a cair?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olhe nunca tinha pensado nisso, mas as palavras s\u00e3o como as cerejas. E, pensando, bem, \u00e9 a din\u00e2mica da sobreviv\u00eancia. T\u00e3o importante quanto a a\u00e7\u00e3o. O tempo para refletir e usufruir, estarmos connosco e com o mundo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sara Raquel Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Noticia Original: <a href=\"https:\/\/www.delas.pt\/carlos-neto-entrevista-brincar\/\">https:\/\/www.delas.pt\/carlos-neto-entrevista-brincar\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Neto, Investigador da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, explica por que raz\u00e3o \u00e9 brincar \u00e9 a melhor prescri\u00e7\u00e3o para um desenvolvimento saud\u00e1vel das crian\u00e7as. At\u00e9 porque n\u00e3o queremos adultos infantis, doentes e com falta de iniciativa.","protected":false},"author":1,"featured_media":5142,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"speak2many_translation":"","custompostfields_publication-date":"","footnotes":"","post_post-custom-url":"","post_post-custom-url-target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7000","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7000"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7000\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}