{"id":7005,"date":"2023-06-28T14:09:12","date_gmt":"2023-06-28T14:09:12","guid":{"rendered":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/?p=5155"},"modified":"2023-06-28T14:09:12","modified_gmt":"2023-06-28T14:09:12","slug":"ana-carol-thome-do-ser-crianca-e-natural-as-criancas-nascem-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/ana-carol-thome-do-ser-crianca-e-natural-as-criancas-nascem-natureza\/","title":{"rendered":"Ana Carol Thom\u00e9, do Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural: &#8220;as crian\u00e7as nascem natureza&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Passei a questionar: ser\u00e1 que as crian\u00e7as est\u00e3o doentes por que tomam vento, ou por que n\u00e3o tomam? Por que andam descal\u00e7as ou por que n\u00e3o andam? Por que brincam com \u00e1gua ou por que n\u00e3o brincam? Retomei mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia e lembrei de momentos de encanto ao pular em po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua, fazer comidinha com terra, plantas e \u00e1gua, fazer castelos de areia, fazer expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no jardim da minha av\u00f3, rolar em barrancos e desc\u00ea-los sobre caixas de papel\u00e3o&#8221;, relembra ela. Ana Carol escreveu seu trabalho acad\u00eamico abordando a rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7a e natureza, mas achou pouco. Queria fazer alguma coisa mais concreta e efetiva. &#8220;Era preciso mostrar que a rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7a e natureza \u00e9 poss\u00edvel, era preciso fazer acontecer&#8221;. E fez. Em 2013, come\u00e7ou a coordenar os encontros <a href=\"https:\/\/www.sercriancaenatural.com\/\"><em>Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural<\/em><\/a>, que t\u00eam como objetivo estimular as&nbsp;fam\u00edlias a brincarem com a natureza.&nbsp;Dois anos depois de criar o&nbsp;<em>Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural<\/em>, Ana Carol embarcou para a Inglaterra, onde trabalhou nas escolas da floresta &#8211; experi\u00eancias educativas que literalmente acontecem na natureza, sem sala de aula. Desde 2016, o programa derivou outras a\u00e7\u00f5es, como o&nbsp;<em>Ser Beb\u00ea \u00e9 Natural<\/em>, para crian\u00e7as at\u00e9 24 meses e suas fam\u00edlias. Em 2017, surgiu uma nova proposta: as <em>Caixas da Natureza<\/em>, na qual as fam\u00edlias inscrevem-se e trocam com uma fam\u00edlia correspondente, definida em sorteio, uma caixa contendo elementos naturais de seu bairro, sua cidade, seu entorno e cotidiano. <strong>&gt;&gt;<\/strong>Veja abaixo um v\u00eddeo em que Ana Carol apresenta o projeto&nbsp;<em>Caixas da Natureza<\/em>.<\/p>\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O que s\u00e3o as Caixas da Natureza?\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bHxkQ4XhNz4?start=131&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n\n\n<p>Pedagoga, educadora h\u00e1 15 anos, especialista em psicomotricidade e em educa\u00e7\u00e3o l\u00fadica, pesquisadora da Cultura Popular e estudiosa da abordagem Pikler, est\u00e1 se certificando no n\u00edvel 1 do&nbsp;<em>Forest School Approach<\/em> (abordagem inspirada nas escolas da floresta). D\u00e1 consultorias em escolas e cursos para forma\u00e7\u00e3o de professores interessados em ampliar os espa\u00e7os de a\u00e7\u00e3o, de brincadeira e de contato das crian\u00e7as com a natureza.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Ser\u00e1 que as crian\u00e7as est\u00e3o doentes porque tomam vento, ou porque n\u00e3o tomam? Porque andam descal\u00e7as ou porque n\u00e3o andam? Porque brincam com \u00e1gua ou porque n\u00e3o brincam?&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp; \u00c9 na pr\u00e1tica, no aqui e agora, que aprende e constr\u00f3i a trajet\u00f3ria inspiradora que queremos compartilhar&nbsp; neste <em>Radar<\/em>. &#8220;Estar com as crian\u00e7as numa rela\u00e7\u00e3o horizontal, se colocar dispon\u00edvel e presente traz um conhecimento que n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel nem em livros nem no <em>Google<\/em>. \u00c9 um conhecimento que \u00e9 vivido, sentido&#8221;, analisa. <strong>&gt;&gt;<\/strong>O&nbsp;<em>Radar<\/em> \u00e9 uma nova se\u00e7\u00e3o no&nbsp;<em>Blog da Brinque<\/em> em que a gente compartilha ideias, experi\u00eancias, projetos e a\u00e7\u00f5es inspiradoras, de pessoas igualmente inspiradoras, que est\u00e3o transformando as realidades em e com a inf\u00e2ncia, a literatura infantil, a educa\u00e7\u00e3o. Conhece algu\u00e9m que precisa estar por aqui? Recomende nos coment\u00e1rios! Abaixo, voc\u00ea l\u00ea os principais trechos da conversa que o&nbsp;<em>Blog da Brinque<\/em> manteve, por e-mail, com a coordenadora do programa&nbsp;<em>Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural<\/em>. <strong><em>Blog da Brinque<\/em>: Voc\u00ea pode, por favor, contar um pouco sobre sua experi\u00eancia nas escolas da floresta? O que voc\u00ea trouxe de mais significativo dessa viv\u00eancia e como isso transformou sua rela\u00e7\u00e3o com a inf\u00e2ncia e com a natureza? <\/strong><em>Ana Carol Thom\u00e9<\/em>: Essa realmente foi uma experi\u00eancia muito importante para mim. Trabalhei em duas escolas que funcionam em florestas. Elas n\u00e3o tem pr\u00e9dio, carteiras, paredes e tudo acontece na floresta. Antes de ir eu j\u00e1 acreditava que era poss\u00edvel a vida na escola ser mais intensa do lado de fora e em contato com a natureza. L\u00e1 eu descobri que tudo que fazemos dentro da sala de aula \u00e9 poss\u00edvel fazer do lado de fora. Uma das li\u00e7\u00f5es que mais guardo comigo \u00e9 que, aqui, n\u00f3s criamos um mundo dentro da escola para que crian\u00e7as aprendam e se desenvolvem. Nas escolas da floresta, elas realmente est\u00e3o no mundo e aprendem e se desenvolvem de maneira \u00fanica e plena!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image size-full wp-image-3919\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogdaletrinhas.com.br\/app\/webroot\/files\/uploads\/bb\/2018\/02\/coleta_fabi.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3919\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A natureza tem de ser um desafio, um est\u00edmulo, um prazer &#8211; jamais um\nobst\u00e1culo, defende Ana Carol. Foto: Fabi Lopes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><em>BB<\/em>: Por que \u00e9 importante que a crian\u00e7a -e o adulto- tenham contato com a natureza? E de que tipo de contato estamos falando?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: Definir o tipo de contato \u00e9 muito importante. N\u00e3o adianta estar em uma pra\u00e7a, mas com o olho no celular ou no tablet. Estamos falando de um contato direto e sens\u00edvel. \u00c9 estar no espa\u00e7o natural sentindo e vivendo o agora. \u00c9 estar presente! Isso vale muito para adultos. As crian\u00e7as nascem natureza e v\u00e3o recebendo nossa carga de humanidade com o passar do tempo. Possibilitar que a crian\u00e7a cres\u00e7a em contato com a natureza, brincando com a natureza, \u00e9 apenas deixar que ela se desenvolva em nosso habitat natural. Crian\u00e7as que crescem em contato com a natureza s\u00e3o mais saud\u00e1veis, criativas, sens\u00edveis, conseguem administrar os riscos em sua a\u00e7\u00f5es, resolvem problemas e tem alta capacidade de planejamento e estrategia. As crian\u00e7as precisam estar do lado de fora, em contato com a natureza, com tempo livre para brincar. Se os adultos as acompanharem e se permitirem aprender com elas, com certeza v\u00e3o ter percep\u00e7\u00f5es que h\u00e1 muito n\u00e3o sentiam.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Retomei mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia e lembrei de momentos de encanto ao pular em po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua, fazer comidinha com terra, plantas e \u00e1gua, fazer castelos de areia, fazer expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no jardim da minha av\u00f3, rolar em barrancos e desc\u00ea-los sobre caixas de papel\u00e3o&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p><strong><em>BB<\/em>: Nos parece que, cada vez mais, as crian\u00e7as est\u00e3o desconectadas de si, de seus corpos, do potencial de suas mentes, da imensa criatividade de que s\u00e3o dotadas, dos movimentos, das brincadeiras. A sociedade tem respondido a isso medicando essas crian\u00e7as e &#8220;patologizando&#8221; a resposta das crian\u00e7as a um meio hostil \u00e0 nossa natureza humana. Voc\u00ea acha que o contato com a natureza, o sujar-se de lama, explorar texturas naturais, brincar com \u00e1gua, o \u00f3cio ao ar livre s\u00e3o meios de resgatar a percep\u00e7\u00e3o do agora, da vida, do l\u00fadico e at\u00e9 da concentra\u00e7\u00e3o da mente infantil?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: Eu n\u00e3o acho, eu tenho certeza, justamente porque tenho visto e vivido isso h\u00e1 alguns anos. A medicaliza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 uma maneira que a sociedade encontrou de colocar as crian\u00e7as em uma forma de comportamentos. Estar em contato com a natureza, com tempo livre para brincar, permite que a crian\u00e7a seja quem ela \u00e9 e viva sua ess\u00eancia. N\u00f3s conseguimos citar algumas a\u00e7\u00f5es que acontecem na natureza, como voc\u00eas citaram acima, mas h\u00e1 um encantamento e uma rela\u00e7\u00e3o mais profunda que acontece quando crian\u00e7a e natureza est\u00e3o juntas. E isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de descrever com a\u00e7\u00f5es. Manoel de Barros disse: &#8220;que a import\u00e2ncia de uma coisa n\u00e3o se mede com fita m\u00e9trica nem com balan\u00e7as nem bar\u00f4metros etc. Que a import\u00e2ncia de uma coisa h\u00e1 que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em n\u00f3s.&#8221; \u00c9 esse encantamento que tem que ser primordial. <strong><em>BB<\/em>: Voc\u00ea tem percebido mais iniciativas em escolas e institui\u00e7\u00f5es nesse sentido, de mais acesso \u00e0 natureza e mais liberdade de movimento e experimenta\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: Infelizmente, eu acompanho um movimento contr\u00e1rio em escolas: cimentar \u00e1reas gramadas, tirar tanque de areia ou reduzir muito sua \u00e1rea, trocar por areia colorida (que n\u00e3o \u00e9 areia de verdade!). Em contrapartida,&nbsp; tenho percebido que o interesse pelo tema aumentou por parte dos educadores e gestores. Venho acompanhando escolas p\u00fablicas e privadas que mudaram suas rotinas, seus espa\u00e7os. Trocaram brinquedos de pl\u00e1stico do parque por brinquedos de madeira. Tem escola em que as crian\u00e7as deixam galochas e capas de chuva para brincar do lado de fora em qualquer tempo. O <em>Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural<\/em>&nbsp;tem uma brincadeira que se chama <em>Caixas da Natureza<\/em>. Nesta a\u00e7\u00e3o, acontece uma troca entre fam\u00edlias ou grupos inscritos. Nas edi\u00e7\u00f5es de grupos que tivemos no ano passado, recebi relatos de crian\u00e7as saindo da escola e andando pelas ruas do bairro, brincando em parques da regi\u00e3o, escolas que perceberam que n\u00e3o tinham \u00e1rea verde dispon\u00edvel para as crian\u00e7as e come\u00e7aram um processo de transforma\u00e7\u00e3o. Como muitas crian\u00e7as passam cada vez mais tempo nas institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental repensar o tempo e o espa\u00e7o para as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Que o vento, a chuva, a areia, a terra, as folhas no ch\u00e3o sejam possibilidades e n\u00e3o impedimento para viver&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p><strong><em>BB<\/em>: O que \u00e9 natural nas crin\u00e7as?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: A pr\u00f3pria crian\u00e7a! N\u00f3s nascemos natureza, mas parece que vamos nos esquecendo disso ao longo do tempo. Nossa ess\u00eancia \u00e9 natureza. Conforme crescemos, recebemos uma carga de cultura que muitas vezes nos distancia dessa ess\u00eancia. <strong><em>BB<\/em>: Voc\u00ea pode dar algumas dicas para professores que nos leem sobre o que podem fazer com as crian\u00e7as para apoi\u00e1-las em sua necessidade de estar mais na natureza? Como a natureza pode ir para a sala de aula?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: A primeira dica \u00e9: conhe\u00e7a o espa\u00e7o da sua escola e descubra a \u00e1rea verde que existe nela. Ela \u00e9 acess\u00edvel \u00e0s crian\u00e7as? J\u00e1 trabalhei em escolas em que tive de viver um processo de apropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o verde junto com as crian\u00e7as. O que no in\u00edcio era &#8220;largado&#8221;, depois se tornou a floresta das crian\u00e7as. Outra dica \u00e9: repense sua rotina e perceba o que voc\u00ea pode fazer fora da sala. Eu sei que tudo \u00e9 poss\u00edvel, mas muitas vezes essas mudan\u00e7as precisam acontecer aos poucos. Consegue contar uma hist\u00f3ria, propor uma pintura, um desenho, uma conversa? Mas a dica mais importante \u00e9 sempre tenha mais motivos que desculpas para sair. Que o vento, a chuva, a areia, a terra, as folhas no ch\u00e3o sejam possibilidades e n\u00e3o impedimento para viver. <strong><em>BB<\/em>: De onde veio a inspira\u00e7\u00e3o para o <em>Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural<\/em>?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: Em 2011 eu estava em busca de um tema para pesquisa acad\u00eamica. Eu, ent\u00e3o professora de educa\u00e7\u00e3o infantil, comecei a perceber muitas m\u00e3es me pedindo para as crian\u00e7as n\u00e3o tomarem vento, n\u00e3o andarem descal\u00e7as, n\u00e3o brincarem com \u00e1gua, sob o pressuposto de ficarem doentes. Passei a questionar ser\u00e1 que eles est\u00e3o doentes por que tomam vento, ou por que n\u00e3o tomam? Por que andam descal\u00e7os ou por que n\u00e3o andam? Por que brincam com \u00e1gua ou por que n\u00e3o brincam? Retomei mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia e lembrei de momentos de encanto ao pular em po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua, fazer comidinha com terra, plantas e \u00e1gua, fazer castelos de areia, fazer expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no jardim da minha av\u00f3, rolar em barrancos e desc\u00ea-los sobre caixas de papel\u00e3o. Fiz tudo isso mesmo sendo crian\u00e7a de apartamento. A inspira\u00e7\u00e3o estava na inf\u00e2ncia que eu observava e na minha inf\u00e2ncia. Escrevi meu trabalho sobre a rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7a e natureza e ao terminar decidi que era preciso ir muito al\u00e9m da pesquisa. Era preciso mostrar que a rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7a e natureza \u00e9 poss\u00edvel, era preciso fazer acontecer. Come\u00e7amos com os encontros Ser Crian\u00e7a \u00e9 Natural, para fam\u00edlias brincarem com a natureza. Desde 2016 temos os encontros Ser Beb\u00ea \u00e9 Natural, para crian\u00e7as at\u00e9 24 meses e suas fam\u00edlias brincarem com a natureza. E desde 2017 temos as Caixas da Natureza, uma brincadeira para fam\u00edlias e grupos de crian\u00e7as brincarem com a natureza onde estiverem todos juntos e, compartilharem suas descoberta e experi\u00eancias. Simultaneamente temos feito forma\u00e7\u00e3o de professores, assessorias em escolas, rodas de conversas com pais, curso virtual para pais e educadores, e estamos iniciando um grupo de estudos e viv\u00eancias sobre educa\u00e7\u00e3o, inf\u00e2ncia e natureza.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Mas tudo isso poderiam ser s\u00f3 certificados, entende?&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p><strong><em>BB<\/em>: Pode contar um pouco da sua trajet\u00f3ria? O que voc\u00ea acha que trouxe voc\u00ea at\u00e9 aqui?<\/strong><em>Ana Carol<\/em>: Minha inf\u00e2ncia com certeza foi fundamental para quem sou hoje. Desde pequena eu queria ser professora e tinha uma escola na casa do meu av\u00f4 que funcionava todos os domingos e atendia as crian\u00e7as da rua e os primos, eu tinha uns 7 anos. Cresci e fiz faculdade de pedagogia, trabalho na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o como professora h\u00e1 15 anos. Fiz especializa\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o especial, psicomotricidade, educa\u00e7\u00e3o l\u00fadica. Estudei cultura popular brasileira. Estudo a abordagem Pikler e Pedagogia profunda, estou terminando o Level 1 do <em>Forest School Approach<\/em>. Mas tudo isso poderiam ser s\u00f3 certificados, entende? Hoje somos capaz de ser muito sabidos sobre algo apenas lendo sobre. Eu acredito que o que me trouxe aqui s\u00e3o as experi\u00eancias que eu tive desde a inf\u00e2ncia, e as rela\u00e7\u00f5es que sempre tive com as crian\u00e7as. Estar com as crian\u00e7as numa rela\u00e7\u00e3o horizontal, se colocar dispon\u00edvel e presente traz um conhecimento que n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel nem em livros nem no <em>Google<\/em>. \u00c9 um conhecimento que \u00e9 vivido, sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Noticia Original: <a href=\"https:\/\/www.blogdaletrinhas.com.br\/conteudos\/visualizar\/ser-crianca-e-natural-mostra-que-as-criancas-precisam-estar-na-natureza\">https:\/\/www.blogdaletrinhas.com.br\/conteudos\/visualizar\/ser-crianca-e-natural-mostra-que-as-criancas-precisam-estar-na-natureza<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2011, a professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Ana Carol Thom\u00e9 estava em busca de um tema que pudesse investigar em seu projeto de pesquisa acad\u00eamica. Atenta, come\u00e7ou a perceber que eram recorrentes os pedidos feitos a ela por m\u00e3es de crian\u00e7as para que n\u00e3o apanhassem vento, n\u00e3o mexessem com \u00e1gua, n\u00e3o botassem os p\u00e9s no ch\u00e3o. O motivo: evitar que os filhos adoecessem.","protected":false},"author":1,"featured_media":5156,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"speak2many_translation":"","custompostfields_publication-date":"","footnotes":"","post_post-custom-url":"","post_post-custom-url-target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7005\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/educartenatureza.uab.pt\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}